domingo, 26 de maio de 2013

Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec

Queridos irmãos e irmãs!
O sacerdócio do Novo Testamento está intimamente ligado à Eucaristia.  Hoje, Solenidade de Corpus Christi e próximos do fim do Ano Sacerdotal, somos convidados a meditar sobre a relação entre a Eucaristia e o sacerdócio de Cristo. … Ela é a alegria da comunidade, a alegria de toda a Igreja, que, contemplando e adorando o Santíssimo Sacramento, reconhece a presença real e permanente de Jesus, o eterno Sumo Sacerdote.
 
A primeira coisa que deve sempre ser tida em mente é que Jesus não foi um sacerdote conforme a tradição judaica. Sua família não era sacerdotal. Ele não pertencia aos descendentes de Aarão, mas de Judá, e, portanto, estava excluído do sacerdócio. A pessoa e a atividade de Jesus de Nazaré não se encontram no modo dos antigos sacerdotes, mas sim no dos profetas – e nesta linha, distanciou-se de uma concepção ritual de religião, criticando a abordagem que dava mais valor aos preceitos humanos ligados à pureza ritual do que à observância dos mandamentos de Deus, isto é, àquele amor a Deus e ao próximo que “vale mais que todos os holocaustos e sacrifícios” (Marcos 12:33).
Mesmo dentro do Templo de Jerusalém, lugar sagrado por excelência, Jesus cumpriu um gesto puramente profético quando expulsa os cambistas e vendedores de animais, coisas que eram usadas para os tradicionais oferecimentos de sacrifícios. Portanto, Jesus não é reconhecido como um Messias sacerdotal, mas profético e real. Mesmo sua morte, que os cristãos corretamente chamam “sacrifício”, não tem nada dos antigos sacrifícios. Na realidade, foi o oposto: uma morte das mais infamantes, por crucifixão, que ocorreu fora dos muros de Jerusalém.
Em que sentido, então, Jesus é um sacerdote? A Eucaristia nos dá a resposta precisa. Podemos começar, novamente, daquelas palavras simples que descrevem Melquisedec: “Ele ofereceu pão e vinho” (Gênesis 14:18). É o que fez Jesus na última ceia: ofereceu pão e vinho, e neste gesto resumiu a Si mesmo e toda sua missão. Naquele ato, na oração que o precede e nas palavras que o acompanham, está todo o sentido do mistério de Cristo, como a Epístola aos Hebreus expressa em um passo decisivo que deve ser mencionado: “Nos dias de Sua vida terrena,” escreve o autor referindo-se a Jesus, “Ele ofereceu orações e súplicas, com fortes gritos e lágrimas a Deus que poderia salvá-Lo da morte, e, por causa de seu completo abandono a Deus, Suas orações foram ouvidas e respondidas. Embora ele fosse filho, aprendeu a obediência daquilo que sofreu e foi designado por Deus para ser sacerdote da ordem de Melquisedec”(5.8 to 10). Neste texto, que claramente alude à agonia espiritual do Getsemani, a paixão de Cristo é apresentada como uma oração e uma oferta. Jesus encara Sua “hora”, que leva à morte em uma cruz, imerso em profunda oração, que consiste na união de Sua própria vontade com o Pai. Esta vontade dupla e única é uma vontade de amor. Vivida nesta oração, a trágica prova que Jesus enfrenta é transformada em oferta, um sacrifício vivo.
A Carta aos Hebreus diz que Jesus “foi ouvido”. Em que sentido? No sentido que Deus Pai O libertou da morte e O ressuscitou. Foi ouvido precisamente por causa de Seu completo abandono à vontade do Pai: o plano de amor de Deus pôde perfeitamente ser cumprido em Jesus, que, tendo obedecido mesmo até a morte numa cruz, tornou-se “causa de salvação” a todos aqueles que Lhe obedecem. Ele se torna o Sumo Sacerdote, tendo tomado sobre Si todos os pecados do mundo, como o “Cordeiro de Deus”. É o Pai que dá este sacerdócio a Ele no próprio momento em que Jesus atravessa a passagem de sua morte e ressurreição. Não é um sacerdócio segundo a ordem da Lei Mosaica (cf. Lev. 8-9), mas “segundo a ordem de Melquisedec” – segundo uma ordem profética, dependente apenas de seu relacionamento singular com Deus.
Retornemos à expressão da Carta aos Hebreus que diz: “Sendo filho, aprendeu a obediência daquilo que sofreu”. O sacerdócio de Cristo envolve sofrimento. Jesus realmente sofreu, e assim o fez por nós. Ele era o Filho e não precisava aprender a obediência a Deus, mas nós precisamos: nós sempre precisamos e sempre precisaremos.
Por esta razão, o Filho assumiu nossa humanidade e Se permitiu ser “educado” na prova do sofrimento, permitiu-Se ser transformado por ele, como o grão trigo que, a fim de dar frutos, deve morrer no solo. Através deste processo, Jesus foi “feito perfeito”, em grego teleiotheis. Devemos nos deter sobre este termo porque ele é muito significante. Ele mostra a culminação de uma jornada, que é precisamente o caminho de educação e transformação do Filho de Deus mediante o sofrimento, mediante uma dolorosa paixão. É graças a esta transformação que Jesus Cristo tornou-Se “sumo sacerdote” e pôde salvar a todos que Nele confiarem. O termo teleiotheis, corretamente traduzido como “feito perfeito”, pertence a uma raiz verbal que, na versão grega do Pentateuco, i.e., os cinco primeiros livros da Bíblia, é sempre usada para indicar a consagração dos sacerdotes antigos. Esta descoberta é muito importante porque ela nos conta que a paixão foi para Jesus como que uma consagração sacerdotal. Ele não era um sacerdote segundo a Lei, mas tornou-Se um sacerdote existencialmente em Sua páscoa de paixão, morte e ressurreição: oferecendo-Se em expiação – e o Pai, exaltando-O sobre todas as criaturas, constituindo-O Mediador universal da salvação.
Retornamos agora, em nossa meditação, à Eucaristia, que logo estará no centro de nossa assembléia litúrgica e posterior procissão solene. Nela, Jesus antecipou seu sacrifício, não um sacrifício ritual, mas um sacrifício pessoal. Jesus, na Última Ceia, age movido por seu “espírito eterno” com o qual Ele depois oferecerá a Si mesmo na Cruz (cf. Heb. 9:14). Dando graças e louvando, Jesus transforma o pão e vinho. É o amor Divino que transforma: o amor com o qual Jesus aceita em antecipação o ato de dar-Se inteiramente a nós. Este amor não mais do que o Espírito Santo, que Espírito do Pai e do Filho, que consagra o pão e o vinho e muda sua substância no Corpo e Sangue do Senhor, tornando presente no Sacramento o mesmo sacrifício que ocorre cruelmente na Cruz.
Podemos, portanto, concluir que Cristo é o sacerdote verdadeiro e eficaz, porque é cheio da força do Espírito Santo, cheio da plenitude do amor de Deus, e isso, precisamente “na noite em que foi traído”, precisamente na “hora da escuridão” (cf. Lc 22:53). É esse poder divino, o mesmo poder que realizou a Encarnação do Verbo, que transforma a violência extrema e a injustiça extrema em um supremo ato de amor e justiça.
Este é o trabalho do sacerdócio de Cristo, que a Igreja herdou e carregou através da história, na forma dupla do sacerdócio comum dos batizados e aquele dos ministros ordenados, a fim de transformar o mundo com o amor de Deus. Todos, padres e igualmente leigos, são alimentados pela mesma Eucaristia, nós todos nos prostramos em adoração, pois na Eucaristia está presente nosso Mestre e Senhor, o verdadeiro Corpo de Cristo, Sacerdote e Vítima, a Salvação do mundo.
Vinde, exultemos com hinos de alegria! Vinde, adoremos a Ele! Amém.
Bento XVI
Homilia da Missa de Corpus Christi 2010

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Salmo 70 (Psalm 71)

Hi, 
This psalm  is my predilect, because tell me about hope to salvation. 
Prayer whith them. 

In You,o Lord, I take refuge let me never be put to shame.
In your justice rescue me, and deliver me, incline your ear to me and save me. Be my rock of refuge, a stronghold to give me safety, for you are my rock and my fortress. O my God, rescue me from the hand of the wicked, from the grasp of the criminal and the violent. 
For you are my hope, O Lord; my trust, O God, from my youth.

God bless you!

Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:
Que eu nao seja envergonhado para sempre!
Pois sois justo, defendei-me e libertai-me
Escutai a minha voz e vinde salvar-me...

Deus te abençoe!
يرحمك الله

terça-feira, 30 de abril de 2013

A festa da Nhá Chica

Um tesouro católico no coração do Brasil
No próximo dia 4 de maio, em Baependi, Minas Gerais, a Igreja Católica celebra a beatificação de Nhá Chica, uma filha de escravos, mulher negra e pobre. Uma conquista que não se alcança pela posse de títulos nem simplesmente por conhecimentos técnicos, menos ainda pela garantia de alguma classe social ou política. Fundamenta-se em estatura admirável e medidas incomuns que só cabem no coração dos santos.

Estatura e medidas que só podem ser alcançadas no caminho da fé, pela singularidade de ultrapassar a lógica da razão e por possuir uma luminosidade além da própria inteligência. A grandeza da fé, cultivada no coração de Nhá Chica, emoldurada por singular devoção a Nossa Senhora da Conceição, fez da analfabeta uma admirável sábia e conselheira. Uma sabedoria que perpetua a sua memória e comprova sua especial intimidade com Deus, ganhando uma perene e especial força de quem pode ocupar o lugar próprio de intercessora.


Nhá Chica está em Deus e o caminho para este lugar - oferta de Deus, o Pai, a todos os seus filhos e filhas - é trilhado pelos que vivem verdadeiramente a experiência da fé, único meio que possibilita ao frágil se tornar forte, corrige os descompassos do humano e constitui um canal direto de diálogo com Deus. A experiência autêntica da fé levou Nhá Chica a superar sofrimentos e a tornar-se irmã de todos, protetora dos pobres e referência para muitos. Primeira bem-aventurada nascida nesta terra tricentenária, cujas raízes mais profundas geram cultura admirável por seus valores singulares e expressão da fé do povo mineiro, um tesouro católico no coração do Brasil.

A leitura e meditação da Carta aos Hebreus, no capítulo onze, permitem compreender melhor a alma de Nhá Chica, a bem-aventurada, reconhecendo-a no conjunto que reúne outros tantos santos e bem-aventurados. Uma genealogia que abrange figuras primárias da fé bíblica como Abraão, Moisés, Jacó, Sara, Débora, muitos homens e mulheres de grande e exemplar estatura. Todos, com suas vidas, mostram que só a fé garante o percurso com vitória certa e produz a estatura de quem se perpetua na história e no coração de muitos. A festa da “Santa de Baependi”, ultrapassando qualquer grande sentido da importância de uma devoção ou de crença, é a consolidação de uma lição a ser permanentemente praticada para fazer a diferença e ajudar na edificação da vida sobre os pilares do amor.

A celebração dessa festa enriquece e perpetua o tesouro de nossa fé católica, convidando cada um a inspirar-se neste exercício de fé. É o mesmo percurso seguido pelos que ganharam a condição de patriarcas, profetas, mártires, santos, amigos de Deus, cidadãos e cidadãs com as marcas da eternidade, comprometidos com a vida e com a justiça. Esse exercício é o que, pela fé, possibilita uma importante certeza: as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê.

Nhá Chica ofereceu seus sacrifícios sem lamúrias e os converteu em oferendas agradáveis que se transformam em frutos de bem. Sua simplicidade é transformada em sabedoria, porque, como registra o referido capítulo da Carta aos Hebreus, permite a compreensão de que sem a fé é impossível agradar a Deus. Quem d'Ele se aproxima deve crer que Ele existe e recompensa os que o procuram. Na estatura simples de Nhá Chica, sua experiência de fé tracejou, como em Noé, “o levar a sério” a promessa divina, a obediência amorosa que impulsionou Abraão, fazendo-o partir confiante para uma terra que deveria receber como herança. Nela, pobre sem letras e sem poder, como em Sara, a estéril, é manifestada a força do amor de Deus por uma admirável capacidade de fazer o bem em vida e depois da morte. Pela fé, Jacó se prostrou em adoração e Nhá Chica viveu adorando, especialmente às sextas-feiras, tocada pelos sofrimentos redentores de seu Senhor. Pela fé, José relembrou, já no fim da vida, do êxodo dos filhos de Israel e Nhá Chica continua lembrando-se de todos nós. Também pelo caminho da fé, Moisés preferiu ser maltratado com o povo de Deus e Nhá Chica escolheu ser conselheira e protetora daqueles que são desafiados pelos sofrimentos. Sua beatificação ensina a todos nós que a fé é o tesouro maior.

 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG) 
Do site da Canção Nova

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Papa Francisco disse que é preciso"Libertar a Igreja de moralismos e ideologias"

A Palavra de Deus deve ser acolhida com humildade, porque é a palavra de amor: em síntese, foi o que disse o Papa esta manhã durante a homilia da Missa presidida na Capela da Casa Santa Marta. Estavam presentes alguns funcionários da Tipografia Vaticana e do L’Osservatore Romano.

Francisco se inspirou nas leituras bíblicas do dia: a vocação de Saulo e o discurso de Jesus na Sinagoga de Cafarnaum. A voz de Jesus, disse, “passa pela nossa mente e vai ao coração”. Já os doutores da lei respondem de outra maneira, discutindo entre si e contestando duramente as palavras de Jesus:

“Os doutores respondem somente com a cabeça. Não sabem que a Palavra de Deus fala ao coração”, disse o Papa, dando o exemplo de Maria, que acolheu com humildade as palavras do Senhor.

Quem responde somente com a cabeça são os grandes ideólogos, afirmou, recordando que “a Palavra de Jesus vai ao coração porque é a Palavra de amor, é palavra bela e traz o amor, nos faz amar”. Os ideólogos, por sua vez, cruzam a estrada do amor e da beleza e põem-se a discutir sobre como Jesus pode dar sua carne para comer.

“É tudo um problema de intelecto. E quando entra a ideologia, na Igreja, quando entra a ideologia na inteligência do Evangelho, não se entende mais nada.”

Para Francisco, os ideólogos falsificam o Evangelho. Toda interpretação ideológica, de qualquer parte vier, é uma falsificação do Evangelho. “E esses ideólogos – como vimos na história da Igreja – acabam por se tornar intelectuais sem talento, moralistas sem bondade. Nem falemos de beleza, porque disso eles não entendem nada.”

“Ao invés, a estrada do amor, a estrada do Evangelho – recorda o Papa, é simples: é a estrada que os Santos entenderam:

“Os santos são os que levam avante a Igreja! A estrada da conversão, da humildade, do amor, do coração, da beleza… Peçamos hoje ao Senhor pela Igreja: que o Senhor a liberte de qualquer interpretação ideológica e abra o coração da Igreja, da nossa Mãe Igreja, ao Evangelho simples, àquele Evangelho puro que nos fala de amor, que traz o amor e é tão bonito! E que nos torna mais belos, com a beleza da santidade. Rezemos hoje pela Igreja!”.

Com informações do site da Rádio Vaticano

O Papa humilde

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Nova beata Brasileira Nhá Chica

Francisca de Paula de Jesus, carinhosamente chamada de Nhá Chica, será a próxima beata brasileira. A cerimônia de beatificação será no dia 4 de maio na cidade de Baependi (MG).

Desde 2007, a causa de canonização de Nhá Chica está aguardando o anúncio de sua beatificação. A cura aceita pela Comissão de Médicos do Vaticano refere-se a uma professora aposentada de Caxambu (MG), que, em 1995, pediu a intercessão da leiga e teve resolvido – sem necessitar de cirurgia - um problema congênito muito grave no coração. Após análise de vários peritos, a graça foi aceita pelo Vaticano.


 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Missa de Páscoa

Missa de Páscoa reúne 20 mil no Santuário Nacional de Aparecida (SP)


Dom Raymundo Damasceno celebrou a missa no altar da Basílica.
Uma missa também está agendada para às 18h com Dom Darci.



Do G1 Vale do Paraíba e Região

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Católicos participam da missa de Páscoa em Aparecida (Foto: Divulgação / Portal A12)Católicos participam da missa de Páscoa às 8h em Aparecida (SP) (Foto: Divulgação / Portal A12)
A missa de Páscoa, neste domingo (31) às 8h, reuniu cerca de 20 mil católicos no Santuário Nacional de Aparecida - maior templo católico do país. A missa, que celebra a Ressurreição de Jesus Cristo, foi presidida pelo cardeal Dom Raymundo Damasceno no altar central.
Durante a homilia, Dom Raymundo disse que cada domingo do ano é como uma pequena páscoa. "Neste dia celebramos a ressurreição de Jesus Cristo. Por isso, o Domingo, dia do Senhor, é tão importante para nós cristãos".
O cardeal afirmou que crer no Cristo ressuscitado é começar a viver como ressuscitado, uma vida nova, de luta contra o pecado, contra o mal, e promover uma cultura da vida, da solidariedade, da paz.
Às 18h, uma missa  será celebrada pelo bispo auxiliar de Aparecida, Dom Darci Nicioli. A celebração encerra as atividades da Semana Santa em Aparecida.
De acordo com a assessoria da Basílica, cerca de 20 mil fiéis participaram da missa (Foto: Flávia Gabriela) 
De acordo com a assessoria da Basílica, cerca de 20 mil fiéis participaram da missa (Foto: Flávia Gabriela)