quinta-feira, 5 de julho de 2012

Rvo Pe Francisco Vera, mártir mexicano


por Orlando Fedeli do site Monfort.org.br
 
Estimados leitores do site Montfort, salve Maria!
        Há anos, publicamos um texto, na secção castelhana do site Montfort, homenageando um mártir mexicano, o Padre Francisco Vera. Ele foi fuzilado pelos comunistas mexicanos, guiados então pela maçonaria, por estar rezando Missa, durante a guerra civil entre os católicos do Movimento Cristero contra as hordas do Partido Revolucionário Institucional do México, que levou esse país católico ao comunismo.
        Apresentamos, hoje, a nossos leitores, a versão em português da homenagem que fizemos ao padre Francisco Vera. Mas inicialmente citamos as palavras do Presidente da República mexicana, o maçon Emílio Portes Gil.
Extrato do “discurso pronunciado pelo  presidente do México, Emilio Portes Gil, em 27 de Julho de 1929 diante dos líderes da Maçonaria após a assinatura dos Acordos que puseram fim à rebelião dos católicos cristeros”. (“Acordos” esses, feitos pelo Cardeal Gasparri, o inimigo de São Pio X… Acordos que acabaram levando à morte muitos dos chefes cristeros).
O Pres. Emílio Pontes Gil deixou claro, em seu discurso, que a perseguição ao clero e à Igreja, “que dura vinte séculos … e é eterna”, foi executada pela Maçonaria, para implantar seus princípios anti católicos.
“Veneráveis irmãos: Enquanto o clero foi rebelde às instituições e leis do governo da República, estive no dever de combatê-lo como era necessário… Agora, queridos irmãos, o clero reconheceu plenamente o Estado e declarou sem rebuços que se submete estritamente às leis…
A luta não se inicia, a luta é eterna.
A luta se iniciou há vinte séculos. Desse modo, pois, não há que espantar-se: o que devemos fazer é permanecer em nosso novo posto, não  cair no erro em que caíram os governos anteriores… que, com tolerância após tolerância, e  com contemplação após contemplação, foram conduzidos à anulação absoluta de nossa legislação. O que é preciso fazer, pois, é ficar vigilantes. Os governantes e os funcionários públicos, devem permanecer zelosos em cumprir a lei e  fazer com que ela se cumpra. E enquanto estiver eu no governo, ante a Maçonaria eu protesto que serei zeloso para que as leis do México, as leis constitucionais que garantemplenamente a consciência livre, porém que submetem aos ministros das religiões a um regime determinado; eu protesto, digo, ante a Maçonaria que enquanto eu estiver no governo, se cumprirá estritamente a legislação.
“No México, o Estado e a Maçonaria, nos últimos anos, foram uma mesma coisa:duas entidades que marcham juntas, porque os homens que nos últimos anos estiveram no poder souberam sempre solidarizar-se com os princípios revolucionários da Maçonaria”.
(Do discurso pronunciado pelo presidente do México, Emilio Portes Gil, em 27 de Julho de 1929 diante dos líderes da Maçonaria, após a assinatura dos Acordos que puseram fim ao levante cristero) 
 

EM UMA MANHÃ AZUL DO MÉXICO.
AO SOL.
Homenagem ao Padre Francisco Vera,
sacerdote e mártir
 
 

     Padre, cujo nome, até hoje, nem sequer eu sabia, e que provavelmente, na terra, bem poucos conhecem, quero prestar-te, mártir de Deus, minha pobre, porém ardente homenagem.
     Hoje, quase ninguém sabe de  teu sacrifício ocorrido, há tantos anos, numa manhã azul do México. Nem ao menos se sabe que houve um governo maçônico e comunista, no México, no século XX, governo que perseguiu a Igreja de Deus, assassinando seus sacerdotes.
     Em nossos dias, Padre Francisco Vera, quase ninguém te conhece. A História se esqueceu de ti. Depois do Concílio Vaticano II, muitos só louvam teus assassinos. Na Igreja nascida do Vaticano II, fizeram-se acordos com eles, e se os chama de “homens de boa vontade”…
     Até mesmo muitos dos católicos, mesmo os fiéis, não sabem de teu martírio. E – dor suprema – a Igreja, ao menos por suas autoridades mais conhecidas, parece quererem te esquecer, e fazer esquecido teu heroísmo e tua confissão da Fé.
     Tu és um padre de outros tempos.
     Hoje, tudo mudou.
     Hoje, não se quer que haja sacerdotes intransigentes que terminem mártires: deseja-se o “diálogo”. O diálogo ecumênico e relativista, que é capaz de fazer acordos os mais incríveis. Até com a heresia. Até com o pecado.
     Querem que os sacerdotes sejam amáveis, diplomáticos e simpáticos, e não padres “teimosos” como tu, com tua face séria e imperturbável ante a morte”. [Perdoa-me, Padre Francisco, são eles, os modernos, os modernistas, os acrobatas do diálogo, que te diriam isso, não eu. Eu, nunca! Eu nunca!]
     Para os modernistas atuais, teu comportamento foi por demais radical – dizem — e muito pouco aberto, e nada ecumênico.
Aos olhos dos prudentes deste mundo, tu foste “um fanático”.
     Sozinho tu estavas naquela manhã azul, ao sol do México – ao sol de Deus – ao dar teu silencioso testemunho, sereno, ante as armas assassinas.
     Tudo era calma e suavidade naquela cena vista por poucos na terra, porém contemplada com amor ardente pelos Anjos. Ao sol, na manhã azul do México.
     Ao sol.
     Inusitadamente, com os paramentos da Missa, ao sol, em teu silêncio, parecias dizer aos que iam te matar: “Introibo ad altare Dei”. (Entrarei até o altar de Deus).
     Sim! Jamais, Padre Francisco, pronunciastes essas palavras do princípio da Missa de maneira mais verdadeira  do que nessa manhã, na qual entraste no céu do Altísimo.
     Verdadeiramente o perfeito Introibo ad altare Dei.
     Nessa “Missa”, ao sol, na manhã azul do México, sozinho, ante os carrascos, tu mesmo eras a hóstia de teu ofertório. Não só apresentavas a oferta de ti mesmo a Deus, tu a oferecias em pagamento pelos pecados de mundo, junto com a hóstia Divina ofertada no Calvário, ao sol também, uma tarde… Há tanto tempo… Eternamente.
     Daí, a suavidade e serenidade com que olhavas os soldados que miravam tua pessoa sacerdotal.
     E eles, também, parece que, — eles também–, te olhavam docemente, com os rostos carinhosamente apoiados no fuzil.
     E miravam com lentidão, suave e calmamente, para não perder o tiro.
     Um mirava tua cabeça, para punir teu pensamento fiel a uma Igreja retrógrada, fiel a uma Igreja que não aceita o mundo moderno, nem sua “civilização” pagã. Tu, fiel à Igreja que recusa evoluir, e a aderir – cum gaudio et spes – ao mundo e a seu príncipe, tu permanecias de pé ante o mundo novo. Tu, homem do mundo antigo, filho da Igreja de sempre, filho da Roma eterna, sacerdote do Altíssimo, in aeternum secundum ordinem de Melquisedec, no paredão, para morrer por Deus.
     Na manhã azul, ao sol, cum Gaudium et Spes, dizendo um NÃO rotundo e mudo, porém clamoroso, com teu sangue, ao mundo moderno, às suas pompas miseráveis, e às suas obras tenebrosas e ímpias.
     E, em silêncio, aguardavas a ordem de fogo do oficial aos carrascos.
     E, enquanto aguardavas, eles miravam docemente, apontando-te docemente seus fuzis.
     Um outro soldado mirava a teu coração, para matar tua caridade, para que se vertesse dele o sangue de teu amor inextinguível. E à ordem de “Fogo”, ele desejava extinguir teu amor de fogo.
     E só lograva, então, alimentar o fogo com fogo.
     Eles te miravam docemente, para matar-te, enquanto tu os miravas docemente, perdoando-os, aguardando que te abrissem com os disparos, a porta do céu na manhã azul do México.
     Ao sol.
     Disse-te eu já que, hoje, os padres não se parecem contigo?
     Olhe, tenho uma outra foto, aqui, em minhas mãos.
     É a de um outro sacerdote.
     É a fotografia de um sacerdote atual, um sacerdote pós moderno. Um sacerdote como tu, porém dos novos tempos, posteriores ao Vaticano II. Um sacerdote modernista que quer voltar a ser um homem primitivo.
     Não posso publicar sua foto, que está numa revista que se diz católica.
     Porém tu a podes ver desde o céu.
     É essa  a figura de um sacerdote católico?
     Sim, é a de um sacerdote católico. Um pseudo missionário.
     Ele não tem paramentos. Nem ao menos usa camisa. Está semi nu  – “inculturado” — entre os índios aos quais ele deveria levar a religião verdadeira. Meio nu, na noite das trevas da morte
     Olhe seus olhos.
     São vazios.
     E contemplam a noite
     Parece que não têm mais alma.
     Ele quer apenas fazer fluir sua vida, à maneira selvagem, olhando a noite.
     Para ele, apagou-se o Sol de Justiça, e não há verdade. E não há mais sol. E não há mais manhã azul, nas quais se pode morrer pela verdade.
     Ao sol.
     Ele é incapaz de dizer- e menos ainda de compreender – o Introibo ad altare Dei.
     E ele não tem nada a oferecer.
     E que ofertório seria ele capaz de fazer?
     Ele seria competente apenas para a apresentação dos dons, “frutos da terra e do trabalho do homem”.
     A diferença entre ele e tu é a do natural para o sobrenatural.
     E quantos não são nem capazes de ver isso! De ver o sol. Numa manhã azul.
     Nas trevas, não há azul
     E quantos sacerdotes conservadores protegem a impiedade e os erros dos maus para poderem imitar suas ações más com palavras e ações equívocas. A “fraternidade” – o “amor”, como dizem agora, a filantropia, e não mais a caridade.  E a “obediência” de certos padres é o escudo e a escusa para eles aprovarem muitos erros…
     Que é, hoje, um sacerdote conservador?
     É aquele que fará amanhã aquilo que o modernista fez anteontem.
     Que é um sacerdote conservador?
     É aquele que diz sempre que fará amanhã – bem escondido na obscuridade, o que o sacerdote heróico faz agora.
     Ao sol.
     O que tu fizeste ontem, no México, em uma manhã azul. Ao sol.
     Dizem os sacerdotes “prudentes”: “Hoje, não posso, porque há dificuldades, e é preciso ser cauteloso. E é preciso obedecer”.
     Prudentemente, ainda que seja contra a Fé.
     “Ademais, hoje, estou muito ocupado”…
     Que é um sacerdote conservador?
     É um padre muito hábil em encontrar razões que lhe permitam adiar, ou dispensar-se, de cumprir  o dever, agora.
     Esses padres prudentes, jamais irão ao paredão.
     Porém tu, Padre Francisco, em tua fidelidade, tu foste até o paredão. Até o céu. Em uma manhã azul do México.
     Ao sol.
     Tu, Padre, cujo nome desconhecia até esta manhã, teu nome é exaltado nos céus pelos coros dos anjos e dos santos. Porque tu fizeste a vontade de Deus na terra, como a quer Deus, no céu. Sem fugas e sem esquivas. Bravamente.
     Ao sol.
     Bem aventurado és tu, Padre Francisco. Por isso te dedico uns pobres versos, que fiz, um dia, versos que desejo sejam para te homenagear
En mi alma hay una llama
que la quema por entera.
El amor es que me llama
A morir por tu bandera
¡Es mi Deus El que me llama
A morir por su bandera!
Si la Iglesia verdadera,
la mi vida me pidiera,
yo mil vidas yo las diera
por la Iglesia y su bandera.
Diez mil vidas yo las diera,
por guardar la Fe entera.
Ah gran Dios, yo bien quisiera
Que mi alma antorcha fuera,
 que otras almas encendiera,
 ´n el amor por tu bandera.
Que en mi alma siempre ardiera
El amor por tu bandera
Y la gloria derradera
Por la cual yo bien muriera,
Dar mi sangre roja e fiera
Por mi Dios y su bandera.
Con mi sangre roja e fiera
Hacer roja su bandera.
     Pudesse eu, como tu, dar também meu sangue, sem valor, e dar minha vida, com tantos pecados, por Deus, pela Igreja e por sua bandeira!
     Sim.
     É o que te peço, Padre Francisco, que me obtenhas de Deus — ainda que eu não o mereça de modo algum – morrer como tu, pela Igreja e sua bandeira.
     Em uma manhã azul.
     Ao sol.
(27 de Novembro de 2003)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Carlo Acutis, jovem com fama de santidade


 

                  Em outubro de 2006, Carlo Acutis tinha 15 anos de idade e sua vida se apagou por uma agressiva leucemia. O adolescente, oriundo de Milão, comoveu familiares e amigos ao oferecer todos os sofrimentos de sua enfermidade pela Igreja e pelo Papa. Seu testemunho de fé, que em alguns anos poderia valer o início de um processo de beatificação, sacode nestes dias a Itália, com a publicação de sua biografia."Eucaristia. Minha rodovia para o céu. Biografia de Carlo Acutis" é o título do livro escrito por Nicola Gori, um dos articulistas de L’Osservatore Romano, e publicado pelas Edições São Paulo.


       Segundo os editores, Carlo "era um adolescente de nosso tempo, como muitos outros. esforçava-se na escola, entre os amigos, era um grande apaixonado por computadores. Ao mesmo tempo era um grande amigo de Jesus Cristo, participava da Eucaristia diariamente e se confiava à Virgem Maria. Morto aos 15 anos por uma leucemia fulminante, ofereceu sua vida pelo Papa e pela Igreja. Sua vida suscitou profunda admiração em quem o conheceu. O livro nasce do desejo de contar a todos sua simples e incrível historia humana e profundamente cristã".


"Meu filho sendo pequeno, e sobre tudo depois de sua Primeira Comunhão, nunca faltou à celebração cotidiana da Santa Missa e do Terço, seguidos de um momento de Adoração Eucarística", recorda Antonia Acutis, mãe de Carlo.


"Com esta intensa vida espiritual, Carlo viveu plena e generosamente seus quinze anos, deixando em quem o conheceu um profundo traço. Era um moço especialista em computadores, lia textos de engenharia informática e deixava a todos estupefatos, mas este dom o colocava a serviço do voluntariado e o utilizava para ajudar seus amigos", adiciona.


"Sua grande generosidade o fazia interessar-se em todos: os estrangeiros, os portadores de necessidades especiais, as crianças, os mendigos. Estar próximo a Carlo era esta perto de uma fonte de água fresca", assegura sua mãe.


         Antonia recorda claramente que "pouco antes de morrer Carlo ofereceu seus sofrimentos pelo Papa e pela Igreja. Certamente o heroísmo com a qual confrontou sua enfermidade e sua morte convenceram a muitos que verdadeiramente era alguém especial. Quando o doutor que o acompanhava perguntava se sofria muito, Carlo respondeu: ‘Há gente que sofre muito mais que eu!".


        Francesca Consolini, postuladora para a causa dos Santos da Arquidiocese de Milão, acredita que no caso de Carlo há elementos que poderiam levar a abertura de um processo de beatificação, quando se fizerem cinco anos de sua morte, como o pede a Igreja.


        "Sua fé, singular em uma pessoa tão jovem, era poda e segura, levava-o a ser sempre sincero consigo mesmo e com os outros. Manifestou umaextraordinária atenção para o próximo: era sensível aos problemas e as situações de seus amigos, os companheiros, as pessoas que viviam perto a ele e quem o encontrava dia a dia", explicou Consolini.


        Para a especialista, Carlo Acutis "tinha entendido o verdadeiro valor da vida como dom de Deus, como esforço, como resposta a dar ao Senhor Jesus dia a dia em simplicidade. Queria destacar que era um moço normal, alegre, sereno, sincero, voluntarioso, que amava a companhia, que gostava da amizade".          Carlo "tinha compreendido o valor do encontro cotidiano com Jesus na Eucaristia, e era muito amado e procurado por seus companheiros e amigos por sua simpatia e vivacidade", indicou.


"Depois de sua morte muitos sentiram a necessidade de escrever uma própria lembrança dele e outros comentaram que vão pedir sua intercessão em suasorações: isto fez com que sua figura seja vista com particular interesse" e em torno de sua lembrança está se desenvolvendo o que se chama "fama de santidade", explicou.A apresentação do livro foi redigida por Dom Michelangelo Tiribilli, Abade Geral dos Beneditinos do Monte Oliveto, e se inclui o testemunho do sacerdote Gianfranco Poma, o pároco de Carlo.

Para mais informação sobre o livro escrito em italiano, pode-se visitarhttp://www.libreriauniversitaria.it/eucaristia-minha-autostrada-céu-biografia/libro/9788821560385 



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Conheça os tesouros da Santa Missa tridentina





Salve Maria!


Não se ama aquilo que não se conhece. Conheça melhor o tesouro da Santa Missa Tridentina para poder amá-la cada vez mais. Leia e estude o “Catecismo da Santa Missa” disponível neste blog.

Segue excerto do documento:

Sobre a necessidade de se entender as orações
e as cerimônias da Santa Missa

P12. É necessário conhecer profundamente a Missa?
R. Um ato de religião praticado com tanta freqüência, tão precioso em suas graças, e tão consolador em seus frutos, é desejoso que se conheça o mais possível, na medida das nossas capacidades.

P13. Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa?
R. Podemos conhece-la mais profundamente estudando seus mistérios, seus dogmas, a moral que ela encerra, e até os menores detalhes de suas cerimônias e orações.

P14. Para que devemos conhecer tudo isto?
R. Para que a Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais vivos sentimentos de religião e de piedade.

P15. Que mais devemos conhecer da Missa?
R. Devemos conhecer suas palavras sagradas em que encontramos todo o sabor da unção de que estão repletas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para lembrar nossa alma e nosso coração que um Deus se imola para nós, e que nós também devemos nos imolar com Ele e por Ele.

P16. Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa?
R. Devemos deixar fora do santuário a indiferença e o tédio, a dissipação e o escândalo, e sermos, no templo, adoradores em espírito e verdade. (Ioh 1 - 4)

P17. Deus exige de todos os fiéis uma instrução profunda e detalhada da Missa?
R. Não. Deus supre a sensibilidade da fé ao conhecimento que não foi possível adquirir e jamais irá desprezar o sacrifício de um coração arrependido e humilhado. (Sl 50, 19)

P18. Quais as disposições essenciais e suficientes para aproveitarmos do santo sacrifício da Missa?
R. Devemos assistir a Santa Missa com a alma penetrada de dor pelas faltas cometidas, e nos aproximarmos confiadamente deste trono da graça, unindo-nos à vítima, Nosso Senhor Jesus Cristo, e à intenção da Igreja, na pessoa do sacerdote, e por seu ministério.
[...]

Baixe o Catecismo da Santa Missa, clicando aqui.

terça-feira, 22 de maio de 2012

A Santa Missa nos livra de uma multidão de males




        Acreditai que, além dos favores que solicitamos na Santa Missa, nosso boníssimo DEUS nos concede muitos outros sem que o peçamos. 

                                                                                                                                               
          É o que ensina claramente São Jerônimo: absque dúbio dat nobis Dominus quod in Missa petimus; et, quod magis est, saepe dat quaod non petimus.
         
        “Sem dúvida alguma, o Senhor nos dá todas as graças que pedimos na Santa Missa, contanto que nos sejam de vantagem; mas, o que é mais admirável, muitas vezes nos dá o que não pedimos.”
             Podemos dizer, por isso, que a Santa Missa é o sol do gênero humano espalhando seus raios sobre os bons e sobre os maus, e alma não há tão pérfida sobre a terra, que assistindo à Santa Missa, dela não aufira qualquer grande bem, e muitas vezes mesmo sem nele pensar ou pedi-lo.


        Santo Antonino conta que um dia dois jovens libertinos passeavam numa floresta. Um deles havia assistido à Santa Missa e o outro não. Levantou-se subitamente furiosa tempestade, e no meio dos trovões e relâmpagos ouviram eles uma voz que clamava: “Mata! Mata!” No mesmo instante o raio esbraseou o ar e feriu aquele que não assistira à Santa Missa.


       O companheiro apavorado, prosseguiu o caminho buscando um refúgio, quando ouviu novamente a mesma voz, que repetia. “Mata! Mata!” O pobre rapaz nada mais esperava senão a morte. Uma outra voz, porém, respondeu: “Não posso, pois ele assistiu à Santa Missa. A Santa Missa a que ele assistiu impede-me de feri-lo.”


       Oh! Quantas vezes DEUS não vos livrou da morte, ou, pelo menos, de numerosos e graves perigos, graças às Santas Missas a que tiverdes assistido! Disso nos asseguraSão Gregório no quarto de seus Diálogos: Per auditionem Missae homo liberatur a miltis malis at periculis, diz o santo Doutor. 

     “ Sim, é verdade que aquele que assiste devotamente à Santa Missa será preservado de muitos males e perigos, se bem que disto não se aperceba.”
                 

Santo Agostinho chega a afirmar a preservação da morte súbita, o golpe mais terrível com que a Justiça Divina fere os pecadores.


São Leonardo Porto Maurício - As excelências da Santa Missa

sexta-feira, 11 de maio de 2012

São Pedro Mártir por Fra Angélico








São Pedro de Verona


Dotado de raro carisma de pregador e convertedor de hereges, esse extraordinário frade dominicano libertou, por meio de uma Cruzada, toda a Toscana da heresia dos maniqueus, sendo por eles martirizado
                                                                                                                                         Plinio Maria Solimeo
Martírio de São Pedro de Verona - Domenichini, Pinacoteca de Bolonha (Itália)
No domingo, 5 de abril de 1252, dois frades dominicanos viajavam pela estrada que liga as cidade de Como e Milão, na Itália. Enquanto caminhavam, iam rezando o Saltério. De repente, saindo da mata, dois homens os atacaram, desferindo sobre um deles terrível golpe de maça. O frade caiu por terra e, lentamente, molhando dois dedos no próprio sangue, escreveu no chão: “CREDO”. Mal tinha acabado a escrita, cravaram-lhe um punhal no coração. Morto o grande inimigo de sua seita – seita dos cátaros ou maniqueus – os dois hereges lançaram-se sobre o outro dominicano que, de joelhos, rezava, matando-o no mesmo instante.
Esses frades assassinados  tão barbaramente eram dois filhos espirituais de São Domingos. Um deles, Pedro de Verona, o Inquisidor-mor de toda a Itália, era tão grande pregador e polemista, que os hereges tinham sido obrigados a proibir seus correligionários de ouvi-lo devido ao número de conversões; o outro, era seu companheiro, Frei Domingos.
São Pedro de Verona tinha tal fama de santidade, que foi canonizado no mesmo ano de sua morte. Sua festa é comemorada no dia 4 do corrente.
Lírio nascido no lodo
Nada pode ser mais favorável para a formação de um Santo do que um lar verdadeiramente cristão, pois de uma árvore má não pode sair um bom fruto. Mas a Providência pode abrir exceções a essa regra, e muitas vezes abre. Foi o que sucedeu com São Pedro de Verona, filho de pais hereges maniqueus.
Como nota um biógrafo seu, “parece que havia nascido com uma aversão natural pelas máximas desta abominável seita e a todos que pretendiam encaminhá-lo a ela. Prevenido por uma  graça oculta, igualmente desprezava, mesmo antes do uso da razão, os afagos, carícias, solicitações bem como as ameaças, golpes e maus tratos dos que desejavam, com a maior ânsia, instruí-lo desde cedo nos elementos de sua heresia”.[i]
Como os hereges não tinham escolas na cidade, o pai enviou-o  a um professor católico para aprender as primeiras letras. Este semeou no coração do pequeno Pedro, ávido das verdades eternas, os fundamentos da única Religião verdadeira, a católica.
Certo dia, um tio herege dos mais fanáticos, encontrou-se com o menino que voltava das aulas, e o interrogou sobre o que estava aprendendo. Pedro inflamou-se então na explicação do Símbolo dos Apóstolos (o Credo), que refuta o erro fundamental daqueles hereges. Por mais que o tio argumentasse, o menino defendia com ardor o que aprendera.
Preocupado, o herege foi procurar o irmão e alertou-o no sentido de que, caso não impedisse o menino de continuar a freqüentar as aulas, este estaria perdido para a seita. O pai de Pedro, seja por não ser dos mais fanáticos maniqueus, supondo talvez que depois de adulto, ser-lhe-ia mais fácil convencê-lo, deixou-o com o professor. E, mais tarde, enviou-o à Universidade de Bolonha.
"Era lastimável a corrupção de costumes que reinava entre a juventude daquela Universidade. E é verossímil que isto mesmo movesse o pai de Pedro a enviá-lo para lá, parecendo-lhe que, uma vez que a licenciosidade de costumes lhe estragasse o coração, seria então fácil apagar dele as impressões da doutrina católica”.[ii] Mas Deus preservou-o do vício como o tinha protegido da heresia.
Foi em Bolonha que Pedro tomou conhecimento de uma nova ordem de frades pregadores e de seu fundador, Domingos de Gusmão, em cujo hábito, negro e branco, estão refletidas as duas virtudes que ele mais amava: a humildade e a pureza. Apesar de ter apenas 16 anos, o adolescente apresentou-se a São Domingos, que o admitiu incontinenti no noviciado.

O noviço julgou seu dever domar de vez todas as más inclinações, triste herança dos pobres filhos de Eva, por uma mortificação espantosa. Praticamente não comia, pouco dormia, e retalhava o corpo com flagelações. Em pouco tempo seu organismo ressentiu-se e ele foi atacado por mortal doença. Mas uma milagrosa intervenção divina salvou-lhe a vida.
Zeloso demolidor das heresias
São Pedro Fra Angelico, (sé. XV), Museu de São Marcos, Florença (Itália)
Após sua profissão religiosa, Frei Pedro dedicou-se com afinco aos estudos, tornando-se capaz de, em pouco tempo, receber a ordenação sacerdotal e “de subir no púlpito, de atacar os hereges, e de parecer nas mais belas ocasiões para a defesa e sustentáculo da Igreja. Ele se comportava com tanto zelo que, segundo os termos de Santo Antonino, todas suas ações pareciam animadas de uma muito viva fé e ardente caridade”.[iii] Desde sua ordenação, Frei Pedro pedia sempre no Santo Sacrifício da Missa a graça de derramar seu sangue pela Fé.
Começou então a parte verdadeiramente extraordinária de sua vida, que tem poucas similares na História da Igreja.
Com um dom especial para mover os corações mesmo dos pecadores mais endurecidos e dos hereges, sua pregação era acompanhada  de milagres portentosos. O que convertia muitos, para desespero do inimigo infernal que procurava de todos os modos impedi-lo de falar.
Certa vez pregava ele na praça do mercado de Florença, pois não havia igreja suficientemente grande na cidade para conter a multidão que fora ouvi-lo. De repente, surgiu um enorme corcel negro, correndo a toda brida em direção aos ouvintes, parecendo disposto a esmagar tudo que encontrasse pela frente. O Santo, com o Sinal da Cruz, dissipou como fumaça esse fantasma feito pelo demônio.
De outra feita, depois de uma pregação, um rapaz pediu para se  confessar. Acusou-se de ter dado um pontapé em sua mãe. Frei Pedro repreendeu-o severamente, dizendo-lhe que por esse ato ele merecia ter o pé decepado. O infeliz ficou compungido, mas interpretou mal a admoestação do Santo, pois chegando em casa, cortou o pé. Houve um vozerio contra Frei Pedro, acusado de imprudência. Este foi até a casa do penitente, pegou-lhe o pé decepado, e com uma bênção juntou-o de novo à perna!
Como os líderes dos hereges estavam desesperados pelas perdas que sofriam, um deles resolveu “desmascarar” o Santo. “Eu vou, disse ele aos seus,  fingir-me de doente, e aproximar-me-ei dele com a multidão; ele  impor-me-á as mãos e dir-me-á que eu estou curado. Então eu declararei sua impostura”. E fez isso. Frei Pedro, no entanto, disse-lhe: “Se estás doente, sejas curado; se não, fiques doente”. No mesmo momento, o homem foi atacado por uma terrível febre, que o levou a um estado desesperador. Confessando sua falta, pediu ao Santo que tivesse pena de sua alma e de seu corpo. Fez uma abjuração de seus erros e foi curado.[iv]
Numa outra ocasião um pseudo-bispo dos maniqueus desafiou o Santo para um debate público. Como o sol estava abrasador e ele não conseguia refutar os argumentos do Santo, para provocá-lo e desviar o assunto, disse-lhe: “Por que não pedes ao teu Deus que nos envie uma nuvem para nos proteger?”. - “Fá-lo-ei da melhor vontade,respondeu o servo de Deus sem hesitar, se me prometeres abjurar  tua heresia, caso vejas a oração ouvida”. Isto foi aceito; então disse Frei Pedro: “Para conhecerdes todos, e confessardes à uma, que o nosso Deus, único onipotente é o criador das coisas visíveis e invisíveis, peço-Lhe, em nome de seu Filho Jesus Cristo, que nos envie uma nuvem para nos defender dos raios do sol”. E ao fazer o sinal da Cruz, imediatamente apareceu no céu sereno uma nuvem amena que aliviou a todos.[v]
A fama do grande taumaturgo precedia-o nas cidades, sendo  ele acolhido com o repicar dos sinos das igrejas. Todos queriam receber sua bênção, vê-lo de perto, tocá-lo. Foi mesmo necessário, em Milão, preparar uma cadeira portátil fechada, para protegê-lo da multidão em seus deslocamentos de um lugar para outro.
Colóquios com três bem-aventurados celestes
Sepulcro de São Pedro Mártir, apresentando ao centro cena de sua canonização, realizada na cidade de Perugia, em 1253, por Inocêncio IV - Basílica de São Estórgio, Capela Portinari, Milão (Milão)
São Pedro de Verona foi muito favorecido com visões celestes. As virgens e mártires Santa Catarina, Santa Inês e Santa Cecília freqüentemente lhe apareciam, e tinham com ele familiar entretenimento. Isso foi-lhe causa de uma grande provação, pois um dia um frade ouviu aquelas vozes femininas na cela do santo, e comunicou ao Superior. Este, no capítulo, repreendeu Frei Pedro, que em vez de se defender, disse apenas: “Sou um grande pecador”, pois, em sua humildade, não queria que soubessem dos favores celestes que recebia. Foi então relegado a um convento distante, com a proibição de sair e de pregar.
Certo dia, nessa reclusão forçada, Frei Pedro lamentou-se amorosamente diante de um Crucifixo, dizendo: “E, então, meu Deus! Vós, que conheceis minha inocência, como podeis sofrer que eu permaneça tanto tempo na infâmia?”. Nosso Senhor respondeu-lhe: “E eu, Pedro, não era inocente? Merecia os opróbrios e as dores com que fui acabrunhado no curso de minha Paixão? Aprende assim de mim a sofrer com alegria as maiores penas, sem ter cometido os crimes que te são imputados”.[vi] Mas os superiores deram-se conta de seu erro e chamaram de volta o grande pregador.
Em 1232 o Papa Gregório IX, que conhecia o zelo e a pureza de doutrina de Pedro de Verona, nomeou-o Inquisidor-Geral da Fé. Foi enviado então a Florença para examinar uma Ordem religiosa que estava surgindo, fundada por sete varões daquela cidade. Graças a seu testemunho favorável, a Ordem dos Servos de Maria foi confirmada.
Frei Pedro de Verona não combatia a heresia só com palavras mas “persuadiu os católicos a se coligarem em uma espécie de cruzada para expulsar do país todos os hereges; e, em menos de seis anos, logrou ver católica a Toscana inteira”.[vii]
Ardor apostólico coroado com o martírio
Os hereges não se conformavam com o deperecimento de sua seita. Assim, coligaram-se para exterminar aquele que tantos estragos fazia.
Por uma luz sobrenatural, São  Pedro conheceu que o momento de seu tão desejado martírio estava próximo. E o disse a muita gente, por exemplo, a uma multidão de 10 mil pessoas que o ouviam em Milão, no Domingo de Ramos.
No sábado seguinte à Páscoa, como vimos, dirigia-se de Como, onde era Prior, para Milão, quando foi martirizado aos 46 anos. Como foi o primeiro mártir da Ordem Dominicana, é também conhecido como São Pedro Mártir, e foi imortalizado por seu irmão de hábito, o célebre Beato Fra Angélico, em várias pinturas.


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Notas:
1. Abbé J. Croisset, S.J., Año Cristiano, Madrid, Saturnino Calleja, 1901, t. II, p. 342.
2. Id. ib., p. 343.
3. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, par Mgr. Paul Guérin, Paris, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, 1882, tomo V, p. 80.
4. Vies des Saints à l’usage des Prédicateurs, Abbé C. Martin, Librairie Religieuse et Ecclésiastique, Paris, 1865, tomo II, p. 133.
5. Cfr. Santos de Cada Dia, organização do Pe. José Leite, SJ., Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. II, p. 181.

6. Les Petits Bollandistes, op. cit., p. 81.

7. Abbé Croisset, op. cit. p. 345.